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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Feira do Livro - 24 a 30 de Novembro



A Biblioteca Escolar da escola sede (Pólo 1), organiza uma Feira do Livro que decorrerá no espaço da própria biblioteca, entre os dias 24 e 30 de Novembro.
A Feira do Livro estará, naturalmente, aberta a toda a Comunidade Escolar. Assim, agradecemos que todos sejam portadores da notícia e a levem ao maior número… os preços são aliciantes…com descontos entre 10 e 20%.
Apareçam. Os livros serão sempre uma boa companhia!

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Visitas guiadas à Biblioteca




Na segunda semana do mês de outubro decorrerão visitas à Biblioteca, tendo como alvo os alunos do 5º ano de escolaridade. As sessões terão como finalidade a formação do utilizador e, nesse momento, será distribuído o "Guia do Utilizador". Daremos a conhecer os diferentes espaços funcionais e, simultaneamente, divulgaremos algumas das obras recentemente adquiridas.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Semana da Leitura

Comunicamos à Comunidade Educativa que decorrerá a Semana da Leitura de 14 a 18 de Março com um conjunto diversificado de actividades.
Os cartazes que a seguir apresentamos elucidam-nos acerca dessas actividades.
























quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Histórias e outras aventuras




















A BE organizou para o Pré-Escolar e 1ºCiclo actividades simultaneamente de incentivo à leitura e conhecimento do espaço. Assim, o primeiro grupo a estar presente na Biblioteca sede foi o grupo do JI da Merceana, no dia 18 de Janeiro de 2011.

Convidámos a aluna, Inês Olaia da turma do 9ºA para fazer a leitura do conto “ O dia em que o mar desapareceu” de José Fanha. A Inês foi muito expressiva e interactiva com o seu pequeno público, os meninos da educadora Paula Durães. Estes por sua vez, mostraram-se maravilhados com a história e a contadora de histórias...

De seguida organizou-se um jogo didáctico relacionado com os conteúdos da obra lida. O jogo permitiu-nos explorar as questões ligadas ao ambiente e aos comportamentos sociais.

À saída os meninos foram encaminhados até ao ecoponto da escola e aí tiveram uma breve explicação. Receberam, ainda um cartaz alusivo às questões ambientais, para além dos coloridos balões…

A professora bibliotecária

Emília Oliveira

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Entrega de livros PNL em sala de aula


Escolhemos OUTUBRO para desenvolver actividades de promoção da Leitura em Sala de Aula. Assim aconteceu no dia 14 de Outubro, como as fotos o descrevem. Fomos ao encontro das turmas do 5ºAno e para todas elas proporcionámos a leitura do Conto/Manifesto de Cidadania, “A Casa Grande”, do escritor João Manuel Ribeiro.
Esta obra trata das questões universais da cidadania. Fá-lo de forma didáctica e afectiva. Para “todos os que (ainda) são meninos de verdade!”.
E começa desta forma:
“Um dia,
um homem teve o sonho
de construir uma Casa Grande,
sem portas nem janelas,
onde pudessem morar os homens e mulheres
de todas as línguas, cores, raças, religiões e latitudes (…)
E continua
“Na Casa Grande,
Apesar de lá permanecerem pessoas
de todas as línguas,
cores, raças,
religiões e latitudes
a linguagem é comum:
- fala-se a língua universal da verdade
a par da língua fraterna do amor,
e da língua subterrânea do perdão
e mais nenhuma outra.”(…)
Continua. Continua…Continua.

Esta obra foi lida por mim e pela D. Eugénia. E no 5ºB também pela professora Maria Inês. A leitura deste pequeno (grande!) conto fez-nos chegar aos conceitos de cidadão, justiça, amor, liberdade, igualdade, diversidade, perdão, paz, rectidão, enfim, um verdadeiro manifesto de cidadania. E, veio simultaneamente, ao encontro da temática proposta pelo Mês das Bibliotecas – a diversidade.
Esta obra está no expositor das novidades. É o nosso Livro do Mês.

Terminada a leitura propusemos aos alunos que a partir da frase “ A Casa Grande é uma Casa sempre inacabada” (frase que se encontra quase no fim do conto) continuassem a história… ilustrassem a “Casa Grande”, que se expressassem de algum modo… em perfeita liberdade criativa. Garantimos que os trabalhos realizados seriam expostos e/ou publicados no blogue da Biblioteca. Aguardemos, então, pelas criações dos alunos que, posteriormente, daremos a conhecer a toda a comunidade escolar.

De seguida fizemos a entrega dos livros do Plano Nacional de Leitura (PNL). Cada menino(a) recebeu a oferta de um livro do programa LER+.

Citamos mais uma vez a frase de Cervantes (que temos no nosso cartaz) “QUEM LÊ MUITO E ANDA MUITO, VAI LONGE E SABE MUITO”.

A professora bibliotecária

Emília Oliveira

terça-feira, 26 de outubro de 2010

"A Casa Grande" (re)criada pelos Alunos do 5º ano


A Casa Grande é uma casa inacabada...


Na sequência da obra lida em sala de aula, os alunos têm respondido positivamente à proposta de dar continuidade à história "A Casa Grande". Eis, pois, alguns dos trabalhos entregues:


Rafael Henriques

5º C

terça-feira, 18 de maio de 2010

O Dia do Livro...


"Abre-se o livro

em qualquer página

e cabe nele um dia ou um ano,

cabe nele a sabedoria,

o romance e a poesia,

cabe nele o conhecimento

e a luz que vem do pensamento;

cabe nele tudo o que somos,

desde que gostemos de ler,

porque ler é aprender,

sendo também liberdade e prazer;

cabe nele o mundo inteiro,

escrito em computador

ou com a tinta de um tinteiro,

e de tudo isso falará neste dia

o leitor verdadeiro,

que do livro, por ser livre,

será sempre amigo e companheiro."



José Jorge Letria,

O livro dos dias
Imagem in

quarta-feira, 28 de abril de 2010

"A voz do coração"


Recentemente requisitei, na biblioteca, o livro “A voz do coração”.
Numa primeira abordagem reparei que a capa era apelativa: as imagens deram-me vontade de o ler. A autora também era conhecida: Rosa Lobato Faria.
Esta obra contém sete contos de Natal; embora tenha gostado de todos foi o último que mais me tocou.
Nesse conto, “As lágrimas de Iraní”, a personagem principal é Iraní, uma menina africana que descendia de uma família de feiticeiros. A garota adorava a vida ao ar livre. Poder correr e saltar pela floresta fazia-a feliz. Mas cedo percebeu que ao correr ficava muito cansada. Contou à avó. Decidiram levá-la ao médico e, num determinado dia, Iraní, acompanhada pelos pais, tios e avó, deslocou-se ao hospital da cidade. A longa viagem fez-se de carroça, pelo caminho a avó ensinou-lhe uma oração.
Os médicos verificaram que a menina tinha um problema de coração e aconselharam a família a levá-la até Lisboa, onde poderia ser operada.
A muitos quilómetros de distância, Rosarinho andava na azáfama de preparação da festa natalícia e, de quando em quando, ia à cozinha para petiscar: um sonho, uma filhós, um pouco de mousse de chocolate, uma rabanada…
Tais misturas acabaram por lhe provocar dores de barriga, mas pelos vistos não seria só disso as fortes dores que sentia e que teimavam em não passar. Queixou-se tanto que foi necessário chamar um médico. Segundo o diagnóstico Rosarinho sofria de apendicite e teria de ser internada.
Ao acordar da operação Rosarinho viu que se encontrava numa sala cheia de meninas que, tal como ela, iriam passar o Natal longe das famílias. A seu lado encontrava-se Iraní que recuperava da delicada cirurgia ao coração. A menina estava triste, pensando na família e nas saudades que sentia de sua casa. Só a muito custo conseguia evitar chorar. Sim, porque a avó tinha-a avisado de que as suas lágrimas se transformavam em diamantes e, se a vissem chorar, os brancos gananciosos iriam provocar-lhe o choro para enriquecerem.
Quisera o destino que Iraní e Rosarinho se conhecessem naquelas circunstâncias. Duas meninas de universos tão diferentes que se viriam a tornar amigas.
No dia de Natal Rosarinho recebeu imensas visitas pois toda a família quisera vê-la. Recebeu, igualmente, imensos presentes. Iraní, pelo contrário, não tinha tido a presença da família, nem presentes. Rosarinho, como forma de animar, resolveu então oferecer-lhe as suas prendas, conservando apenas um livro de histórias para ler enquanto a sua amiga estivesse a dormir. Iraní ficou radiante e abraçou a amiga. Não conseguiu conter duas lágrimas de alegria perante a generosidade da amiga. Estas ao rolarem pela sua face transformaram-se em diamantes. Como forma de gratidão resolveu oferecê-los à Rosarinho; afinal, se não tivesse sido tão carinhosa estes diamantes não teriam existido!
Rosarinho guardou preciosamente a oferta, sem contar a quem quer que fosse o sucedido.
Muitos anos mais tarde, já adulta fez com eles uns brincos, que usou para sempre como recordação da sua amiga Iraní que, entretanto, regressara ao seu país.


Daniela Damião
5º A

Imagem in
http://www.bertrand.pt/fotos/produtos/9789895553334_1229683875.jpg

quarta-feira, 10 de março de 2010

Havia uma estrela...

Havia um menino chamado Pedro que uma noite, olhando o céu com muita atenção, viu uma estrela e pensou em ir buscá-la. Então, depois dos pais já estarem deitados saltou pela janela do quarto e foi até à igreja.

Agarrou a grossa aldraba da porta do templo e empurrou-a com força. A madeira rangia porque a idade da porta suplicava não se sabe bem o quê?!… O rapaz correu em direcção a uma escada. Subiu até à torre pela escada de ferro. Depois, empoleirou-se no galo dos pontos cardeais e, de braços bem esticados, apanhou uma estrela. Para não a deixar escapar, atou-lhe um cordel e entalou-a nas calças.

Já em casa, esteve algum tempo com a estrela na mão mas como estava cheio de sono colocou-a dentro de uma caixinha, muito bem guardada. Adormeceu.

No dia seguinte, Pedro abriu a sua caixa, cumprimentou a sua amiga estrela e saiu.
Na aldeia toda a gente comentava o desaparecimento de uma estrela. “- Quem teria tido a coragem de desviar uma estrelinha do céu?! - comentava toda a gente.”
Apercebendo-se do burburinho, Pedro regressou a casa e lá permaneceu.

Já a noite ia alta quando a mãe do rapaz, ao passar pelo seu quarto, estranhou ver uma intensa luz a esgueirar-se pelas frestas da porta. Sem fazer barulho, pé ante pé, abriu a porta e…Que luz intensa! Uma estrela dormia ao lado do seu filho.

- O que é isto? – gritou a senhora.
O som da sua aflição ecoou pela casa, acordando o marido.
Era urgente devolver a estrela ao céu. Então, Pedro pegou na sua amiga e dirigiu-se à igreja para que pudesse restabelecer a ordem das coisas. Mas…

Assim que tinha acabado de lançar a estrela, Pedro desequilibrou-se e caiu mortalmente.

Hoje, a estrela continua a brilhar mas com um brilho ainda mais intenso porque... Pedro é a sua grande companhia. Agora, os dois vagueiam pelo céu com luz e sorrisos de nuvem.



Anabela Santos, 7ºB
(texto elaborado no âmbito do estudo do conto A Estrela de Vergílio Ferreira)


Imagem in http://www.dehonbrasil.com/padrealirio/uploaded_images/Estrela_de_Natal_IV%5B1%5D-799015.jpg

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A magia dos livros...



Há uma coisa curiosa de que só me dei conta há pouco tempo e que quero partilhar…

Estava a dar uma olhadela nos meus livros e reparei que muitos deles me lembravam alguns momentos… Como se fossem livros com a sua própria história de vida. Não, não estou a falar das histórias que os livros nos contam quando os abrimos e lemos! Nada disso. Estou a falar daquele livro que nos ofereceram pelos anos; daquele que alguém nos deu pelo Natal; do outro comprado aqui ou acolá… daquele livro oferecido por alguém que fez questão de lhe escrever uma dedicatória…e do outro que alguém sugeriu… estão a ver onde quero chegar.

Tenho um livro que só encontrei, há pouco tempo, numa livraria que abriu em Torres Vedras - Filipa de Lencastre - a rainha que mudou Portugal- e que me deu muito trabalho a encontrar. Depois, tenho um outro que uma amiga me ofereceu pelos anos - A nossa amizade é à prova de tudo – e ainda um outro que adquiri por sugestão da minha mãe, quando vagueávamos pela Feira do Livro de Lisboa. Verdade se diga que fiquei meio desconfiada, não lhe achei grande piada e não tive vontade de o trazer mas… hoje é um dos meus livros favoritos! – O Principezinho.

Na verdade, cada livro tem pelo menos duas histórias! A que vem lá dentro prontinha para se ler e, outra, aquela de que nos lembramos quando lhe pegamos. A história da sua vida connosco. É engraçado! E é por estas e por outras que “dar um livro é dar uma parte de si”!

O meu fascínio pelo mundo das letras já vem lá de longe. Gosto de me entrelaçar nas palavras e voar. Também gosto de partilhar com os outros este meu prazer e de lhes transmitir este meu vício. (Ou pelo menos tentar…)

É muito curiosa a forma como os livros nos podem fazer viajar, lembrar ou fazer reflectir sobre tantas “coisas” e tantos mundos. Desde a história que nos contavam quando éramos pequenos até às que lemos hoje, é fantástico assistir ao que nos dizem as personagens, os ambientes e as situações que as histórias nos fazem viver. Saber “quando, como e onde” ou, se esses elementos forem indeterminados, poder imaginá-los é uma enorme aventura.

Seja um livro oferecido, comprado ou requisitado, ler é sempre uma aventura.

Gostava de passar este meu encanto pelas palavras e pelos livros aos outros… assim como se fosse magia – passava-lhes a magia dos livros como se de um testemunho se tratasse.

Aquilo que nos faz olhar para o livro e nos diz “Leva-me contigo”; “Lê-me”!

Aquele encanto que nos faz agarrar num monte de páginas encadernadas, preenchidas com palavras mais ou menos loucas e só o largar quando o último ponto coloca fim ao texto.

Mas há histórias que não nos prendem a nada. No entanto, com elas desenvolvemos o espírito crítico porque aprendemos a dizer:”- Não gosto! Que texto tão aborrecido, tão enfadonho!” Mesmo assim, não abandonamos as palavras…castigamo-las.

Seja como for os livros são objectos únicos, carregados de sentidos, de imagens, de sonhos…
Agora, tenho que ficar por aqui… vou agarrar umas páginas recheadas de palavras e fugir...



Inês Olaia, 8ºB


Imagem in
http://blogdofriburgo.files.wordpress.com/2009/02/livros.jpg

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010



Era uma vez… Não. Não gosto. Está gasto. Há muito, muito tempo… Ficou pior. No tempo em que… Stop! Está cada vez pior. Ora esta, quero escrever uma história, mas não encontro maneira de começar. Acho que me vou ficar pelo velhinho “Era uma vez…”.


Era uma vez há muito, muito tempo, no tempo em que se escreviam cartas em papel aos amigos e não havia Internet, uma borboleta com asas da cor do arco-íris. Não era uma borboleta qualquer! Era uma borboleta grande e bonita, com asas elegantes e coloridas. Era uma borboleta tão especial que quis ir à escola com os meninos. A Dália, assim se chamava a borboleta, decidiu que queria aprender com os humanos. Estava cansada de achar que não sabia nada de nada, nem percebia nada de nada, do mundo que a rodeava. E mesmo assim, a Dália sabia mais do que a maior parte das borboletas: sabia falar como os humanos; ler o que os humanos escreviam e resolver problemas, uma coisa estranha, de uma ciência a que os humanos chamavam “Matemática”.


Um dia, a Dália decidiu ir para a escola. Tinha ouvido os miúdos dizer que era o primeiro dia de aulas. Apanhou o autocarro (que é como quem diz, agarrou-se ao vidro de trás) e saiu na paragem onde saíram os meninos. Era muito cedo. Resolveu conhecer a escola.


Era tudo enormeeeee…. As salas, as cadeiras, as mesas, os quadros, o giz… Bem, quando entrou na biblioteca, sentiu-se minúscula no meio daqueles livros todos tão grandes. Saiu pela janela, mas quando voltou a entrar nem se deu conta de que tinha à sua frente uma professora e… pumba! Chocou contra a mala. Ainda meio tonta foi arrastada até conseguir voltar a voar. Refeita do susto, deu às asas e esvoaçou. A professora, simpática, pegou-lhe com jeitinho e pediu-lhe desculpa, pois não a tinha visto. A Dália, disse que não fazia mal, mas esqueceu-se que os humanos não sabiam que havia borboletas capazes de falar a língua dos homens. A professora assustou-se e Ups! deixou a Dália cair desamparada. “Oh não! Assustei-a!” Pensava a Dália para consigo enquanto dava às asas e subia no ar.


- Não se assuste por favor! Preciso de falar consigo! – exclamou a borboleta.

- Devo estar a sonhar! – disse a professora, esfregando os olhos.


A Dália subiu para a mão da professora e afirmou:

- Não, não está. Eu falo mesmo. E quero vir aprender!


A professora abanou a cabeça, fechou os olhos e voltou a abri-los para se certificar de que não estava a sonhar. Então, levou a borboleta Dália até à casa de banho para que ninguém as visse a conversar.


- Eu quero aprender aqui na escola dos Homens e… - pediu a borboleta num tom muito doce.


- Como se falar fosse pouco, ainda queres vir à escola como os alunos? – interrogou a professora.

-Sim! – respondeu convicta a Dália. - Vá lá, ajude-me!!


- Espera, deixa-me pensar… Pronto, está bem, eu deixo-te ir na minha mala, mas tens de ter cuidado para que ninguém te veja! – explicou a professora.

-Prometo que vou ter cuidado! – disse a borboleta.


A Dália lá encontrou um cantinho na mala da professora. Ainda meio incrédula, sem saber se estava a sonhar ou não, a professora seguiu para a sala de aula.

Tudo correu bem nos três primeiros dias.
Mas, um dia um menino ia entregar a caderneta à professora e tropeçou na mala. A mala da professora virou-se no chão, tendo-se espalhado todo o seu conteúdo, incluindo a coitada da Dália. Meio estonteada ergueu-se e voou, esquecendo-se por completo do facto de ser uma borboleta escondida, na mala de uma professora. Tal foi a distracção que quando se recompôs e endireitou as asas ainda perguntou o que tinha acontecido… A turma ficou estupefacta. A professora não sabia o que dizer. A Dália ficou completamente atrapalhada quando percebeu o que tinha feito.


Muitas perguntas e muitas conversas depois, a turma chegou a uma conclusão: vamos ajudar a Dália! Em vez de passar os dias na mala da professora, Dália poderia esconder-se nas mochilas e nos casacos dos meninos da turma.

Chegou o dia de elegerem o delegado. Com os votos empatados entre quatro alunos alguém se lembrou de pedir à Dália para desempatar. A borboleta bem que ficou atrapalhada e disse que não conseguia… mas lá teve que se decidir.


Um dia depois das aulas, houve um problema com dois colegas. A Dália, que se estava a preparar para ir para casa, foi a voar chamar a professora. Aquilo estava a ficar complicado. A briga era feia. Mas tudo se resolveu.

Num outro dia, estava escondida na mochila de um rapaz. O professor fez uma pergunta à qual o aluno não se conseguia responder. Então, sorrateira a Dália voou por baixo da mesa e sussurrou-lhe a resposta.


E assim andava Dália muito contente a aprender: aprendeu línguas diferentes – Inglês e Francês - (“Como são complicados os homens! Não era mais fácil entenderem-se numa só língua?”); Ciências Naturais (como percebia agora as flores!); Ciências Físico-Químicas (ah! Agora sabe o que são sais…), Matemática (tantos números!); Geografia (realmente os homens são muito complicados! Mas que trapalhada de países!); a História (assim lá começou a perceber o passado e o presente dos homens que tanta confusão lhe faziam!); aperfeiçoou e aprendeu mais de Português (até escrevia melhor que alguns meninos); aprendeu a desenhar e a pintar em Educação Visual; aprendeu a construir “coisas” em Educação Tecnológica e até deu cambalhotas em Educação Física…

Um dia em Formação Cívica…

- Professora, podíamos fazer uma peça de teatro no fim do ano… - sugeriram alguns alunos.

- Uma peça de teatro? – questionou a professora. - E sobre o quê?

-Sobre…Sobre?!… Sobre a Dália, como é claro! – responderam em coro os alunos.

Estupefacta a Dália voou para cima da secretária de uma das raparigas que lançou a sugestão:

- Sobre mim?


- Sim, sobre ti! – exclamou a rapariga com um ar muito decidido.

- Mas porquê? – perguntou a Dália intrigada.

- Porque és a nossa borboleta, porque tens uma história gira, porque gostas de aprender e porque gostávamos de contar a tua história aos outros. Percebes? – disseram.

A professora sorriu. Ainda lhe parecia uma coisa de conto de fadas. Ter uma borboleta daquelas na sala de aula não era propriamente vulgar mas… Acabou por acenar que sim, que poderia ser. Trataram de tudo.

No dia da apresentação da peça, a professora subiu ao palco com a borboleta na mão, fingindo que ela estava suspensa e atada a fios de pesca, presos no tecto. Apesar de ser uma borboleta especial, era preferível manter o segredo. A Dália não falava, apenas se mexia e eles faziam o resto.

No fim do teatro, agradeceram os aplausos e resolveram dirigir-se até uma sala de aulas.

- Dália, para o ano vens? – interrogaram-na.

- Sim! Para o ano cá estarei a aprender matérias diferentes! – respondeu a borboleta muito entusiasmada. Depois, bateu as asas e voou.


Inês Olaia, 8º B


Imagem in

Miguel Torga


O escritor Miguel Torga, nome literário do médico Adolfo Correia da Rocha, nasceu a 12 de Agosto de 1907, em S. Martinho da Anta, concelho de Sabrosa, Trás-os-Montes. Filho de gente do campo, não mais se desliga das origens, da família, do meio rural e da natureza que o circunda. Mesmo quando não referidos, estão sempre presentes o Pai, a Mãe, o professor primário Sr. Botelho, as fragas, as serranias, a magreza da terra, o suor para dela arrancar o pão, os próprios monumentos megalíticos em que a região é pródiga.


Adolfo escolheu este pseudónimo por duas razões: Miguel por ser o nome próprio de dois mestres da língua castelhana – Cervantes e Unamuno – nobres escritores igualmente preocupados com a alma humana; Torga à semelhança das “torgas” que são urzes que florescem nas terras transmontanas, de raízes fortes, inabaláveis, bem metidas nas rochas.

Responsável por um vasto espólio literário de entre os seus textos mais conhecidos estão Os Bichos (1940), Odes (1946) e os dezasseis volumes do seu Diário, abrangendo o período entre 1941 e 1993.

Em 1976 foi-lhe atribuído o Grande Prémio Internacional de Poesia da XII Bienal de Knokke-Heist (Bélgica). Dois anos depois foi, de novo, proposto para prémio Nobel. Em 1978 a Fundação Calouste Gulbenkian prestou-lhe homenagem nos cinquenta anos de carreira literária. Dois anos mais tarde recebeu o Prémio Morgado de Mateus com o escritor brasileiro Carlos Drummond de Andrade. A 10 de Junho de 1989 o júri do Prémio Camões dá-lhe esse prestigiado galardão e, em Janeiro de 1991, a revista «Le Cheval de Troie» dedica-lhe um número especial. É mais uma vez nomeado para o Nobel da Literatura pela Associação Portuguesa de Escritores.

Em 1993 publica o 16º volume de «Diário». O último.
A 17 de Janeiro de 1995, às doze horas e vinte e três minutos deixa este mundo.

«Ser livre é um imperativo que não passa pela definição de nenhum estatuto. Não é um dote, é um Dom».




Imagens in


http://oladosombra.wordpress.com/2007/11/06/camara-escura-miguel-torga/

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O Príncipe Feliz



Na praça central da cidade estava uma estátua de um príncipe feliz.

Um dia, poisou aos pés daquela estátua uma andorinha que ia para o Egipto e que já estava muito atrasada porque tinha convidado um junco a acompanhá-la na viagem. Mas o junco não se podia separar da terra, pois era esta que lhe dava a vida e, apesar do amor que ele sentia pela andorinha, não poderia acompanhá-la.

A andorinha olhou novamente para a estátua e notou que lhe caíam duas gotas pela cara abaixo: eram duas grossas lágrimas.

A ave perguntou ao príncipe por que razão chorava. Este respondeu que chorava pelos pobres da cidade que eram muitos. Ele também contou à andorinha que quando reinava ninguém lhe contava o que se passava e que os altos muros do seu palácio não o deixavam ver nada. Mas, agora, desde que ali estava, já conseguia ver a pobreza e a miséria de muitas pessoas.

Entretanto, o príncipe perguntou à andorinha se ela o queria ajudar. Inicialmente a ave recusou mas perante a insistência do pedido ela acabou por ceder e resolveu ajudá-lo.

Então, o príncipe pediu à andorinha que arrancasse o rubi da sua espada e o levasse ao casebre que ficava ali em frente, onde viviam uns meninos pobres cujos pais não podiam pagar a renda da casa e, por isso, iriam ser postos na rua.

A andorinha assim fez. As crianças que viviam no casebre ficaram muito contentes porque poderiam vender a pedra preciosa e arranjar dinheiro para pagar a referida renda.

Mas estava na hora de partir para o Egipto e a andorinha despediu-se do príncipe. Este voltou a pedir-lhe que não partisse pois continuava a haver muita gente na cidade que precisava de ajuda. Era necessário ir levar uma safira a um escritor que estava muito doente e não tinha dinheiro para pagar os remédios. A andorinha olhou para o príncipe e lembrou-o que a safira era um dos seus olhos – estaria ele interessado em ficar vesgo? No entanto, ele não hesitou e pediu-lhe que levasse a pedra ao escritor. E, assim foi, a andorinha voou e lá foi entregar a jóia ao pobre escritor.

Mas naquela cidade existiam muitas outras pessoas pobres a precisarem de ajuda. A andorinha precisava de partir porque as suas irmãs esperavam por si no Egipto. No entanto, o príncipe ainda precisava de ajuda: era necessário que a andorinha lhe tirasse a outra safira para que ele pudesse continuar a praticar o Bem.

Enquanto o Inverno chegava de mansinho, a andorinha ia ajudando todos os pobres da cidade.
Agora, já nada de valor havia na estátua do príncipe.

Agora, a andorinha não tinha coragem de o abandonar.

Então, o pássaro deitou-se aos pés do seu amigo príncipe e ali ficou…
Mas o frio começava a ser cada vez mais intenso e numa noite gelada a andorinha morreu, tendo deixado o Príncipe Feliz profundamente triste.

A estátua perdera a beleza porque já não tinha pedras preciosas a decorá-la. Então, alguém a levou para uma fundição. Mas, após ter sido sujeita a altas temperaturas, verificou-se que o coração de chumbo do Príncipe Feliz se mantinha intacto. Decidiram levá-lo a um outro ferreiro que também não o conseguiu fundir. Perante isto, o ferreiro decidiu atirá-lo para o lixo.

Curiosamente, o caixote de lixo onde foi deixado o coração da estátua era o mesmo onde se encontrava o corpo da andorinha. Quisera o destino que ficassem juntos.

Entretanto, passou um anjo que recolheu o corpo da andorinha e o coração do Príncipe Feliz. O céu nunca mais foi o mesmo, a andorinha e o Príncipe Feliz viveram eternamente no Jardim do Paraíso ao som das mais belas melodias.
Maria Santos, 5ºC

Imagem in http://maniadeler-cintia.blogspot.com/2009/05/o-principe-feliz-uma-linda-historia.html

terça-feira, 2 de junho de 2009

Os que amam os livros



O Pó dos livros é um blogue e igualmente uma livraria. Aqui encontrámos um pequeno texto real, que nos traz esse gosto delicioso por compreender e por isso por perguntar, sempre numa atitude de curiosidade quase infinita. São encontros com crianças que parecem nascidos de uma iluminação que maravilha e que gostaríamos de compreender como elas lá chegarem, para que a outros fosse possível descobrir o reino que está diante dos seus olhos. Eis um desses relatos que nos entusiasmam.

«
Desceu a escada que dá acesso aos livros infantis a correr, não tinha mais de 9 anos, daquelas miúdas cujos olhos brilham só pela aproximação dos livros. A vontade de levar todos era imensa, mas a mãe trouxe-a à terra e lembrou-lhe que a vontade que ela tinha de ler era proporcionalmente inversa à quantidade de dinheiro disponível para comprar livros. E que só chegava para um. O ânimo não diminuiu, só não sabia qual escolher, já tinha lido aquele, o outro e também toda a colecção respectiva, tinha gostado de todos. Estava muito indecisa. A mãe nitidamente não tinha tido tanta sorte como a sua filha no que se refere ao acesso aos livros, e talvez por isso não se sentisse à vontade para escolher um.
Pede-me para lhe indicar um livro, um que dure mais do que os anteriores – «é que ela lê com uma velocidade impressionante e eu não tenho dinheiro para tantos livros». Escolhi um, um livro mais a sério, grosso, só com letras, um de que a minha sobrinha de 13 anos tinha gostado imenso. A miúda tinha nitidamente capacidade para este e para mais, se fosse preciso. Ao dar-lho para as mãos, a menina diz: - Vou lê-lo num instante… se não, gostar posso vir trocá-lo? Sabia que era um estratagema para poder ler mais com o mesmo dinheiro, mas respondi:
Sim, podes. Eu sei que é politicamente incorrecto e que na maior parte das vezes não é verdade, mas, para uma criança, o facto de os livros não estarem imediatamente à mão pode funcionar como o melhor incentivo à leitura».

Jaime Bulhosa, Pó dos Livros
(Imagem, Vanessa Bell, Amaryllis e Henrietta,
in Mulheres Que Lêem São Perigosas)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor I


Hoje decorre mais um aniversário do Dia Mundial do Livro. Celebra-se esta data desde 1996. Com esta iniciativa a Unesco procura chamar a atenção da comunidade de pessoas e nações para o património cultural e histórico que representam as obras deixadas por sucessivas gerações de escritores, poetas, historiadores ou romancistas. O direito do autor é um reconhecimento que é feito pela Declaração Universal dos Direitos do Homem.
A ideia de celebrar o livro como objecto no dia-a-dia nasceu na Catalunha, onde se oferecia uma flor a quem comprasse um livro.
Nesta data coincidem o nascimento ou morte de grandes figuras da história cultural do homem, como Cervantes ou William Shakespeare. Todos os anos a Unesco indica uma capital que funciona durante um ano, como a Capital Mundial do Livro. Este ano Beirut será a Capital Mundial do Livro.
As iniciativas são múltiplas para relembrar a importância do livro como património e como objecto de uma memória colectiva que pertence a toda a Humanidade. Em Portugal decorrerão hoje algumas iniciativas em diferentes cidades.
Em Lisboa e no Porto, associações culturais e entidades públicas promovem em espaços diversos este contacto com o livro a diferentes leitores.
Neste dia deixamos aqui o link para um recurso espantoso, A Biblioteca Digital Mundial da Unesco. Dividida em nove áreas geográficas tem um fundo documental extraordinário ao nível do manuscrito, da cartografia ou a fotografia. É um projecto dirigido pelo Director da Biblioteca do Congresso Americano, pode ser acedido, a partir do link abaixo:


(Imagem, in Unesco.com)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Malasartes


A Malasartes é um projecto de divulgação da literatura para crianças e jovens. Editada pelo Campo das Letras, as dificuldades com que esta editora se confrontou ameaçou o Projecto de grande valor pelo pioneirismo que desenvolveu no apoio a leitores, escolas e bibliotecas.
O projecto continua agora pela mão da Porto Editora. Saiu o número dezassete, relativo a este mês de Abril. São temas desta edição, as relações multiculturais na literatura para crianças, os aspectos relacionados com a medição literária ou os picture books.
São abordadas as edições do Planeta Tangerina e analisados alguns autores como Ondjaki, Manuela Bacelar e Antero de Quental. São destacados os aspectos da defesa do património natural e a importância crescente da ilustração do livro infantil. Existem ainda um conjunto de apresentações críticas à mais recente literatura saída.