sábado, 14 de março de 2009

Albert Einstein - «O Rascunho do Mundo»


«A percepção do desconhecido é a mais fascinante das experiências. O Homem que não tem os olhos abertos para o misterioso passará pela vida sem ver nada.»(1)

Temos por ele um imensa admiração. Raros terão ousado compreender os fundamentos do Universo de uma forma tão inteligente e humana. Viveu, como nasceu, determinado, na inquietação do pensamento, na dúvida das ideias feitas onde a imaginação alimenta o mistério da vida.
Não sendo físicos e tendo apenas por hábito o estuda das ideias, das que conseguem romper na floresta, as crenças das imensas multidões, que no seu esquecimento confirmam a desarmonia com que tantas vezes vivemos. Ficou para o Tempo, nessa dimensão que ele procurou alterar, como aquela figura de cabelo esbranquiçado, ar lunático, capaz de comover multidões pela sua inteligência, mas também pela sua loucura. A que procura campos novos, ideias generosas que deixe como herança na matéria, a nossa particular aventura.
Este Homem ficou ligado ao momento zero da loucura humana, quando a energia revelou toda a sua inegável amargura em Hiroxima. E, no entanto, era um pacifista, dava-se mal com paradas, ordens e sistemas organizados de verdades imutáveis, onde os princípios não se discutem.
Percorreu o mundo com o mesmo talento que o vento o faz, com a ciência de compreender tudo o que o rodeia, na descoberta de tudo receber desse universo que quis compreender, como um desenho imperfeito e inacabado, sempre em construção.
Este Homem era um optimista, mesmo em relação à nossa triste evolução moral, onde o preconceito continua por tornar finito, como o são todos os cientistas. Na descoberta de uma linguagem fora dos sentidos que saiba interpretar o Universo cada vez de uma forma mais esclarecida, nas suas constantes de beleza e transformação. Este Homem ousou fazer o caminho e sentir a aventura do que podemos experimentar com os olhos, instrumento do espírito para uma utilização racional onde possamos alcançar, ainda que por momentos, uma pequena montanha. E aí nesse momento raro e único, no silêncio e na harmonia contemplar todo o Tempo, esse pequeno instante onde acedemos à eternidade.
Este Homem, que ousou pensar, se o universo pode ser compreendido numa última e inquietante equação, onde a matemática, no testemunho da sua genialidade, nos desse a revelação de nós e o mundo. O seu nome: ALBERT EINSTEIN.

(1) Albert Einstein, in «O Citador»

Albert Einstein - Biografia I


«Não quero ser um génio (...) já tenho problemas suficientes ao tentar ser um homem» (1)

É de um génio, consistente e imenso, um grande pensador, um Homem, que aqui lembramos nos cento e trinta anos do seu nascimento.
Albert Einstein nasceu em Ulm, na Alemanha , filho de uma família judia de classe média. Interessou-se pela ciência, desde muito cedo, e foi em Munique, na fábrica do pai que entrou em contacto com as máquinas eléctricas. A descoberta pelos livros onde se divulgavam as ideias científicas da época, e a relativa prática da confissão judaica abriram-lhe as portas para a descoberta e fascínio pela descoberta de um modo racional de observar o mundo. Era determinado no estudo, mas apenas naquilo que o entusiasmava.
Em 1815 vai viver para Itália, sendo no ano seguinte admitido no Instituto Politécnico de Zurique. Dedica-se à experimentação de ideias no laboratório, ao estudo dos livros, faltando às aulas que considerava pouco actualizadas, o que lhe criará dificuldades futuras com o mundo académico. Em 1901 adquire a nacionalidade suiça, de que nunca abdicará. Casou com Meleva Maric, uma excelente aluna de física, mas o relacionamneto dos dois não foi o mais feliz. A partir de 1905 influenciará o mundo da física, isto é do conhecimento do próprio universo. Todas as suas propostas se baseram no uso de generalizações feitas com base na evidência experimental, modelo que abandonará na fase final pelo recurso a um maior uso da formulação matemática.
Entre 1911 e 1921 terá uma bem sucedida carreira académica, sendo professor nas universidades de Paraga e Berlim e na Academia Prussiana de Ciências. Recebe o prémio Nobel da Física em 1921.
Albert Einstein formulou ideias sobre a energia e a matéria, sobre a teoria da luz e naturalmente o que ficou mais conhecido, a relatividade dos objectos no espaço-tempo, no fundo, uma nova teoria sobre a gravitação, que era uma evolução reformulada das ideias de Newton. Einstein tornar-se-ia um cientista famoso, célebre, usando o seu reconhecimento público para promover a defesa daquilo que para ele era muito importante, a paz e o desarmamento dos países.
A sociedade alemã doas anos vinte vivia o drama da derrota na 1ª Guerra Mundial e desconfiava da generosidade, isto é, dos que só queriam apoiar, sem dramatismos o País e um povo que vivia em graves dificuldades. Como ele próprio constatou, a divisão do átomo é bem mais fácil de obter que a eliminação da estupidez humana. A partir de 1933, tudo seria pior. Com o Nazismo em ascensão, o ritual da loucura saiu à luz dos dias com os seus fundamentalistas de ocasião. As perseguições, a destruição de bibliotecas, as fogueiras de livros procuravam eliminar as ideias.
Sairia da Alemanha para os Estados Unidos, onde em 1940 se tornaria cidadão americano e também do mundo que ajudou a compreender no seu aspecto mais fascinante.
Na última fase da sua vida, continuou a procurar relacionar as suas teorias da relatividade e do conceito espaço-tempo com o electromagnetismo. Embora associado à criação da bomba atómica pelos Americanos, isso é só um sinal da sua importância como pessoa e como cientista. Nos seus estudos nunca procurou relacionar o electromagnetismo com a fusão nuclear. Naturalmente que os seus estudos sobre a energia e a matéria ajudaram na construção desse momento fatal para a consciência humana. A sua carta de 1939 a Roosevelt foi só, mais um sinal, de uma dignidade preocupado com o Homem e pelo misterioso e deslumbrante universo que todos podemos sentir e contemplar.

(1) Albert Einstein, in «O Citador»

terça-feira, 10 de março de 2009

Sophia - Biografia I

«Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!»

De seu nome completo, Sophia de Mello Breyner Andresen, é um dos maiores nomes da poesia e da cultura europeias deste século. Nasceu a seis de Novembro de 1919 na cidade do Porto, onde passou a
infância. Estudou entre 1936 e 1939 na Universidade de Lisboa. Publicou os primeiros poemas em 1940, nos Cadernos de Poesia. foi opositora ao regime político do estado Novo tendo ajudado na defesa dos presos políticos.
Escreveu muitos livros de poesia, cujos poemas se encontram organizados na sua Obra Poética. Podemos destacar, Dia do Mar, No tempo Dividido, Coarl ou o Livro Sexto. Escreveu igualmente contos, Histórias da Tera e do Mar ou Contos Exemplares e ainda variados livros para crianças, onde se podem destacar, O Cavaleiro da Dinamarca, A Àrvore, O rapaz de Bronze ou A Fada Oriana. Escreveu ainda ensaios e traduziu autores tão variados como Eurípedes, Shakespeare ou Dante.
Recebeu vários prémios, como o Prémio Camões em 1999 ou o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana em 2003. Influenciada pelo deslumbramento da cultura grega e pela luz do Mediterrâneo, a sensibilidade e a palavra são nela, suportes que permitam a organização de um mundo de consciência, de descoberta, mas também de procura de campos felizes.
Autora do mês na Biblioteca, deixaremos aqui noutros post's a beleza da sua palavra e a nossa reverência a uma escritora, como poucas alguma vez esta cultura soube ter.


A Semana da Leitura




No âmbito das actividades do Plano Nacional de Leitura muitas bibliotecas têm desenvolvido as suas actividades de promoção da leitura e da escrita, através da sua Semana da Leitura.
A Biblioteca que suporta este Blogue dará conta brevemente das suas actividades que irá dinamiz
ar no 3º Período. Entretanto por serem igualmente excelentes momentos de inspiração visual, motores da procura e divulgação das palavras, deixamos neste espaço um desses momentos de inspiração
Aqui poderás encontrar mais formas visuais de divulgação da leitura que por estes dias se realizam em diferentes escolas.



segunda-feira, 9 de março de 2009

Charles Darwin e as Ciências


As ideias de Darwin levaram a repensar a própria natureza humana e nesse sentido muitos campos do conhecimento se abriram ao Homem. Deixamos aqui quatro livros cuja leitura nos permite compreender melhor as ideias de Darwin e a sua teoria, mas igualmente conhecer aqueles que no campo da Biologia as contestam. Com Henriqueta, a Tartaruga de Darwin, podemos compreender como nas ilhas Galápagos o cientista construiu a sua teoria sobre a origem das espécies. É um livro de José Jorge Letria dedicado aos mais novos que apresenta as ideias do pai do evolucionismo com simplicidade. Quem estiver interessado em conhecer melhor as ideias de Darwin, o seu livro A Origem das Espécies apresenta-as de uma forma mais completa nos seus princípios essenciais, como a selecção natural ou a mutação das espécies e a adaptabilidade ou meio ambiente. Na medida em que as ideias de Darwin colocaram em oposição a Ciência e a Religião, o livro Evolução a Duas Vozes, escritos por Teresa Avelar e pelo Padre Carreira das Neves permite conhecer as ideias destes dois universos em relação às ideias de Darwin. O Livro A Caixa Negra de Darwin permite-nos compreender como a biologia e a bioquímica não justificam em determinados campos as ideias da evolução de Darwin. A complexidade bioquímica do Homem pode ser aceite como um simples processo de evolução? É um livro interessante pelas questões que coloca. Finalmente deixamos aqui mais duas propostas numa altura em que as questões climáticas são matéria de preocupação.
As questões ambientais, o desenvolvimento sustentado, os desastres ambientais, de que forma interferem na vida da sociedade humana? Duas repostas. Alastair Fothergill em Planet Earth revela imagens preocupantes e Algore em Uma Verdade Inconveniente analisa a questão de forma muito directa. Pela abertura de novas ciências de que aqui se deu um pequeno exemplo podemos facilmente concluir da importância de Charles Darwin, muito acima da simples docotomia Criação/Evolução.


Charles Darwin - Biografia II


Desde os Gregos que o Homem procura compreender a sua natureza, mas também o que o envolve, o meio natural. No fundo compreender o universo através de equações que possam ser sistematizadas pela razão. Entre os criadores e pensadores de diferentes tempos que contribuiram para o alrgamento da Ciência, um tem especial destaque, Charles Darwin.
Darwin reformulou, ou podemos mesmo dizer reinventou a Natureza, no sentido em que abriu campos novos. O Evolucionismo, teria grande impacto na formulação de outras Ciências. da Biologia, à Medicina e à Antropologia ele fez avançar a Ciência, que mais não é que a procura racional de compreender o mundo e os seus fenómenos. O campo científico contemporâneo é-lhe devedor na formulação do seu próprio pensamento. Deixaremos em vários textos alguns dos livros e das áreas científicas que Charles Darwin desbravou.

Charles Darwin - Biografia I


Este ano de dois mil e nove, marca os duzentos anos do nascimento de Charles Darwin e cento e cinquenta anos sobre a sua obra, A Origem das Espécies.
Charles Darwin nasceu a doze de Fevereiro de 1809 em Shrewsbury, na Inglaterra e sempre revelou um grande interesse pelos fenómenos naturais. Contactou com naturalistas e com as temáticas da Botânica e da Geologia quando estudou Teologia.
A vinte e sete de Dezembro de 1831 participou numa expedição à volta do mundo realizado pelo navio Beagle, onde durante cinco anos em diferentes locais observou fósseis e recolheu amostras da Natureza. A partir da sua observação construiu uma nova teoria explicativa do mundo natural. A sua teoria ficou expressa no livro A Origem das Espécies, criando desde a sua publicação uma imensa polémica pelas respostas que apresentava. Seria, no entanto, o seu segundo livro, A Origem do Homem que Darwin iria concretizar melhor as suas ideias de que o Homem tinha realizado um proceso de evolução a partir de um antepassado comum.
Poucos homens influenciaram o conhecimento e a Ciência como Charles Darwin. Em 1872 publicaria o seu último livro, A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais, onde procurou mostrar que o corpo e igualmente a mente sofreram um longo processo de evolução. As suas ideias levantaram um coro de protestos na sociedade vitoriana. Os fundamento da sociedade burguesa pareciam levar aqui mais um forte choque. A Igreja foi especialmente dura, pois como séculos antes com Galileu e Newton a abertura de novos horizontes ameaçava a segurança do que se conhecia, do que estava estabelecido. Os primeiros anos do século XX e o seus conflitos mortais evidenciaram a natureza humana de uma forma que as ideias de Darwin e de outros, como Freud, viriam a confirmar da pior maneira.